"Somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo" (Carl Sagan)

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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Existe Verdade Absoluta?


Essa pergunta é, em minha opinião, a mãe de todas as perguntas. É a pergunta cuja resposta deveria guiar todo o nosso esforço como humanidade. Vou tentar explicar o porquê...

Há alguns anos atrás, discutindo num grupo de debates via e-mail, essa ideia me veio à cabeça. Estávamos trocando ideias acerca dos mistérios sobre a origem do universo. É óbvio que vários pontos de vista foram explicitados. É claro que houve discórdia. Temos diferentes pontos de vistas religiosos, criacionistas, científicos, pseudocientíficos, místicos e metafísicos. Temos milhões e milhões de perguntas, mas não temos nenhuma resposta. Eu poderia abordar o tema em todos esses aspectos, especialmente do ponto de vista filosófico do que vem a ser "verdade" e o que seria a "verdade absoluta" e a "verdade relativa". Mas não é meu propósito com esse texto. Quero ir mais direto ao ponto e às minhas conclusões (as minhas verdades relativas? rsrs)

Para começar, vou utilizar o mesmo exemplo que utilizei naquela época. Imaginemos que um crime acabou de ocorrer: um assassinato. Um cadáver jaz no chão, mas ninguém viu o agressor, muito menos como se deu a morte da vítima. Peritos são acionados e as pistas são coletadas no local. Um perito diz que, a partir das pistas coletadas, o assassinato ocorreu de uma forma "A". Outro perito, embasando-se em diferentes evidências, diz que o assassinato se deu de uma forma "B". Temos então dois pontos de vista diferentes acerca de um mesmo crime, devido a uma coleta diferencial de dados. E ainda que exatamente os mesmos dados tenham sido coletados na cena do crime, existe a possibilidade de que duas interpretações diferentes surjam deles. E então? Quem tem a razão? Como saber qual é a verdade acerca do crime? Bem... eu obviamente não tenho a resposta. E talvez ninguém a tenha! Em muitos casos cotidianos como esse, a verdade é sempre relativa, parcial, dependente de dados limitados e interpretações pessoais, de paradigmas individuais. Por esse motivo, muitos alegam que não exista uma verdade absoluta. Que para tudo na vida há uma "verdade relativa" e, justamente por isso não devemos nunca brigar uns com os outros (cada um tem a sua própria verdade). Entretanto, esse tipo de pensamento não soluciona problema algum. O questionamento permanece insolúvel e as discórdias sempre existirão. Pode ser que muitos não se importem com isso... mas eu me importo! No exemplo acima do assassinato, como estamos tratando de algo concreto, material, fica mais fácil de entendermos a questão. Independente de quem está correto (o Perito A ou o Perito B), o fato é que um assassinato ocorreu e ele ocorreu de alguma forma. Alguém pode dizer que isso não é importante, que a pessoa continuará morta e ninguém poderá fazer nada a respeito disso. É verdade! Alguém pode alegar que, uma vez o criminoso tenha sido capturado e condenado, que a verdade acerca da morte não importa. Isso é outra verdade! Mas para aqueles que buscam o conhecimento, o entendimento acerca do mundo, a essência das coisas, tais respostas serão sempre insatisfatórias. E isso, também é verdade!

Se você que está lendo esse texto pensa como eu, você é uma pessoa que se inquieta diante de uma resposta insolúvel. A busca pelo conhecimento, pela chamada "verdade absoluta" é algo que movimenta a sua vida. Então, nesse sentido, num debate sobre a "origem do universo" como o exemplo que abriu esse artigo, embora não faça a mínima diferença prática no seu cotidiano se o universo foi criado por um fenômeno físico, uma divindade ou seres extraplanares, a pergunta te movimenta. Você sabe que, independente de existirem inúmeras verdades relativas (devido aos paradigmas pessoais de cada um), existe uma única verdade absoluta ainda não encontrada. Se vamos encontrá-la algum dia? Não temos como responder e talvez nunca consigamos. Mas o que te move é a pergunta e não a resposta em si. É o gosto pela busca, pela exploração no mundo do conhecimento humano. O fato de saber que a verdade está lá em algum lugar desafiando a inteligência humana é o suficiente para você. E como você sabe que essa verdade existe? Porque assim como o indivíduo do exemplo anterior não poderia ter sido assassinado de duas maneiras diferentes, o Universo (UNI = UM) não poderia ter sido criado de duas maneiras diferentes.  A única explicação que podemos utilizar para contradizer essa "verdade" seria se ao invés de um UNIverso, nós tenhamos um MULTIverso com realidades alternativas. Então, nesse caso, pode ser que um mesmo indivíduo tenha sido assassinado de uma maneira A num Universo A e de uma maneira B, num universo B. Da mesma forma é possível que o Universo A tenha sido criado de uma maneira A, enquanto o Universo B de uma maneira B. Mas se você parar para pensar, em ambos os casos, você se encontra nesse momento em um desses Universos paralelos contemplando um assassinato ou tentando entender a sua origem. E mesmo que existam múltiplas versões dos fatos dentro do Multiverso, você está numa dessas versões. E para essa versão do Universo sempre existirá uma verdade absoluta. Faz sentido essa afirmativa para vocês?

Enfim... eu poderia discorrer muito mais sobre o assunto, mas perderia o meu propósito com esse texto. Sintetizando a ideia: para todo fato, fenômeno ou assunto, há diferentes verdades relativas baseadas nas experiências e paradigmas de cada indivíduo, entretanto, sempre haverá uma verdade absoluta dentro do universo em que você se encontra. Como o diagrama no início dessa página demonstra, todos temos nossas crenças pessoais (nossas verdades relativas). Pode ser que essas crenças não tenham nada a ver com a realidade (área azul) e pode ser que a realidade não seja contemplada em nenhuma de nossas crenças pessoais (área vermelha). Mas quando nossas crenças coincidem com a realidade (área marrom), temos as crenças justificadas. E é dentro dessa área que se encontra o verdadeiro conhecimento, a busca a qual julgo que todos nós deveríamos fazer. Acredito que o avanço da humanidade (tanto no âmbito científico, quanto espiritual) se deve à descoberta contínua dessa área marrom. E o nosso trabalho de estudo e pesquisa visa fazer com que essa área marrom incida cada vez mais sobre a área vermelha, livrando-nos das falsas crenças e permitindo que encontremos a paz espiritual e harmonia entre os indivíduos.

Essa é a grande busca!
Esse costuma ser o meu propósito de vida!
Seria o seu também?
Se sim... junte-se a nós, nessa jornada! 😉

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